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terça-feira, 19 de julho de 2016

Shahmaran ou Shahmeran (Şahmeran)



Alguns dos meus seguidores tem me perguntado sobre a figura mitológica que aparece em quadros nas paredes de novela Sila, então resolvi escrever sobre a lenda de Shahmaran ou Şahmeran em turco, a rainha das cobras. Shahmaran é uma criatura mítica, metade cobra, metade bela e sábia mulher, mencionada no folclore de todos os povos do oriente médio (curdos, turcos e árabes) e até da Índia. A lenda é contada em diferentes versões, uma delas está presente em uma das estórias das mil e uma noites, na estória de Jemlia.

Vou contar aqui a versão mais popular dessa lenda:


Um jovem lenhador chamado Tahmasp saiu com seus amigos para a floresta e enquanto pegavam lenha encontraram um buraco cheio de mel. Eles decidiram, então, levar para casa todo aquele mel. Tahmasp desceu no buraco para pegar o mel, quando os amigos pegaram todo o alimento, decidiram deixar Tahmasp para trás, dentro do buraco. Quando ele já tinha perdido todas as esperanças de sair daquele buraco ele viu uma passagem e conseguiu passar para o outro lado e adormeceu. Quando acordou se viu rodeado por milhares de cobras, pensou que a hora de sua morte tinha chegado e começou a rezar. Quando abriu seus olhos novamente ele viu uma linda mulher, metade cobra metade mulher. A criatura disse a ele, eu sou Shahmaran, a rainha das cobras e você é nosso convidado, não vamos machucar você. Tahmasp pensou estar sonhando e voltou a dormir. No dia seguinte quando acordou, Shahmaran o convidou para um café da manhã e os dois começaram a conversar, a rainha das cobras lhe contava sobre a história da humanidade. Os dois se apaixonaram perdidamente e muitos anos se passaram. Depois de tanto tempo, Tahmasp sentiu saudades da família e disse a Shahmaran que queria voltar e rever seus familiares. Ela ficou muito triste mas permitiu que seu amado voltasse ao seu mundo, mas o fez jurar que nunca contaria a ninguém a localização do seu reino e recomendou que Tahmasp não deixasse que ninguém o visse tomando banho, pois o contado com a água iria revelar suas escamas de cobra. Um dia o rei adoeceu e a cura para a sua enfermidade seria comer a carne de Shahmaran. Os soldados saíram pelo povoado a buscar quem saberia o segredo da localização da rainha das cobras. Após muita procura encontraram Tahmasp e após torturá-lo muito, ele acabou contando a localização de Shahmaran. Tahmasp ficou muito envergonhado ao ver seu grande amor e olhar em seus olhos a decepção e tristeza. Quando estava sendo capturada, Shahmaran disse a Tahmasp, quem comer da minha cabeça morrerá instantaneamente, porém, quem comer do meu rabo será curado de qualquer enfermidade e terá sabedoria. O soldado que não tinha intenção nenhuma de dar a cura para o rei, comeu imediatamente seu rabo e morreu depois de um tempo. Tahmasp ficou tão triste com a morte de seu amor que comeu um pedaço da cabeça, com a intenção de morrer imediatamente. O que aconteceu foi que Shahmaran na eminência de sua morte, quis deixar toda sua sabedoria para Tahmasp, por isso enganou ao soldado ao dizer que a cura e sabedoria estavam em seu rabo, quando na verdade quem comesse seu rabo morreria. Tahmasp então se transformou em um grande sábio e decidiu passar o resto de sua vida vagando pelas montanhas, com a dor pela morte de seu grande amor. Enquanto isso, no reinado das cobras, ninguém sabe que Shahmaran foi morta, as cobras ainda pensam que sua líder voltará um dia. O grande medo da raça humana é o de que as cobras descubram que Shahmaran foi morta, pois nesse dia haverá muita desgraça, já que as cobras cobrarão vingança contra os humanos.

Shahmaran, também chamada de mãe dos curdos, além de beleza e sabedoria, também é símbolo de fertilidade, por isso é comum nas tradições curdas a moça que está prestes a casar receber junto com o dote um quadro com a figura de Shahmaran, O quadro é pendurado no quarto do casal, para que o mesmo seja feliz e fértil.


                                                   

                Uma das versões de Shahmaran, o quadro está no Museu de Bergama, Turquia


                                        Ilustração do encontro de Shahmaran e Tahmasp



                                                      Outra versão de Shahmaran

5 comentários:

Sara disse...

Que história interessante!

Anônimo disse...

Olá Hürrem, que história interessante e triste ao mesmo tempo.Acredito ter visto também esse quadro na novela Sila,entretanto jamais iria saber que por trás dessa imagem teria uma lenda folclórica.Uma mulher que é metade serpente,me faz lembrar a lenda do folclore brasileiro (trazida pela Cultura Greco-Romana)no qual conta a história da sereia que é uma mulher metade peixe e que de noites em noites atraía pescadores com seu canto belo e suave,segundo conta a lenda os pescadores que seguiam a sereia nunca retornavam.A imagem da Shahmaran pode ter uma certa semelhança com a imagem da Sereia embora as histórias de ambas sejam bem diferentes.Parabéns pelo texto! Bjos!Angel

Hürrem disse...

Olá Angel, sim as lendas da humanidade sempre tem algo em comum, verdade. Beijos

Letícia Mesquita disse...

Interessante saber um pouco das lendas turcas; percebe-se pela novela Sila, que a cultura é rica em contos e que é passada de geração para geração. Eles preservam o que têm de mais bonito.
Não conhecia a história, parabéns pelo texto. Muito bom!!!

Hürrem disse...

Muito obrigada pelo carinho Letícia! Beijo grande.