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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Fonte alemã (Alman Çeşmesi ) -Istambul

Quando se visita a área do antigo hipódromo, no bairro histórico de Sultanahmet, em Istambul, é impossível não notar a beleza da fonte alemã. A fonte foi presente do imperador alemão Guilherme II, ao imperador otomano Abdülhamid II, para celebrar o segundo ano do aniversário de sua visita a Istambul, que aconteceu em 18 de outubro de 1898. A fonte foi construída na Alemanha e todas as suas peças foram transportadas para Istambul, sendo inaugurada em 27 de janeiro de 1901, data do aniversário do imperador alemão. O real motivo deste presente da Alemanha ao império otomano foram as negociações exitosas, na época, para a construção de uma uma ferrovia entre Berlin e Bagdad. A fonte foi construída em estilo neo bizantino, revestida de mármore e o domo de bronze.


fonte Alemã

Detalhe das colunas de mármore e do interior da cúpula

Cúpula com mosaicos dorados e finas pinturas

Vista da Fonte Alemã com a Santa Sofia ao fundo

domingo, 4 de junho de 2017

Efésio (Éfesus)

Éfesus ou Efésio foi uma importante cidade da antiguidade, localizada na chamada Ásia Menor, atual Turquia. De acordo com a lenda, a cidade teria sido fundada por uma tribo de mulheres guerreiras chamadas "Amazonas". Como a grande maioria das cidades da antiguidade, foi governada por diversos povos ao longo de sua história, como por exemplo os arzawas, os lídios, os gregos e os romanos.  Durante o período do domínio grego, a cidade viveu em grande esplendor, foi o berço de grandes filósofos, entre eles Heraclitus. As mulheres possuíam os mesmos direitos que os homens, tinham profissões respeitas na época, eram professoras e artistas. Um dos locais mais importantes da cidade era o Templo de Artemis, uma das sete maravilhas do mundo antigo.
Em 129 AC o império romano começou a governar a cidade, que se tornou um importante centro portuário (naquela época o mar banhava a cidade, mas com o passar dos séculos o mar foi se retraindo) e de comércio. Com a construção da biblioteca de Celsus, Éfesus se tornou a segunda escola de filosofia da região do Mar Egeu.
Com o surgimento do cristianismo, várias cristãos passaram a frequentar a cidade, o mais famoso deles foi o apóstolo Paulo, que chegou a pregar no grande teatro da cidade. Um dos mais importantes e conhecidos livros do Novo Testamento é justamente a carta de Paulo aos Efésios. O apóstolo João e a Virgem Maria teriam passado a viver na cidade após a morte de Cristo. Éfesus é uma das sete igrejas citadas na Bíblia, no livro de Apocalipse. Todas as sete igrejas estão localizadas na Turquia (já escrevi sobre as cidades de Laodicea,  Pergamo e Izmir /Esmirna ).
Após o cristianismo se tornar a religião dominante na região, houve um declínio na produção cultural e intelectual. As mulheres passaram a ter um papel secundário na sociedade , não sendo mais permitido o trabalho das mesmas como professoras e artistas. O imperador Teodósio mandou fechar grande parte das escolas e destruiu o Templo de Artemis. As colunas e demais materiais do templo foram usados na construção de igrejas.
A cidade foi decaindo aos poucos ao longo dos séculos e perdendo sua população e importância. No século XI os seljúcidas invadiram o local, que já não possuía quase habitantes.
Em 1304 os turcos otomanos tomaram posse de Éfesus e construíram a mesquita de Isa Bey, mudando o nome da cidade para Ayaslug.
Em 1402 as tropas de Tamerlán (turco-mongol) destruíram a basílica de São João e a Mesquita.
Éfesus se tornou patrimônio da Unesco em 2015.


A magnífica Biblioteca de Celsus

Avenidas de Éfesus


Detalhes artísticos das colunas e teto da Biblioteca de Celsus

O grande teatro

O grande teatro



Mosaicos presentes em várias edificações importantes na cidade


Auditório


Exemplo de edificação da cidade


Uma das ruas de Éfesus com decoração em mármore ao centro



Portão de Heracles

Templo de Adriano 


Avenida do cais do porto


Latrina pública


Na latrina pública da cidade os filósofos e autoridades muitas vezes conversavam e discutiam temas importantes da política e de filosofia


Igreja da Virgem Maria


Tanque batismal da igreja da Virgem Maria


Pia batismal central da igreja da Virgem Maria

terça-feira, 2 de maio de 2017

Demre - Cidade do Papai Noel

Quem pensa que a terra do Papai Noel é o Pólo Norte ou a Lapônia está totalmente equivocado, a terra do homem que inspirou a criação da figura conhecida como Papai Noel, é a cidade de Demre, na Turquia, há 145 km do balneário de Antalya, no sul do país.
No século IV DC, Demre era conhecida pelo nome de Myra, o bispo de Myra, que era amado pelos moradores da cidade, se chamava Nicolau, nascido em 270 DC, na cidade grega de Pataras, era filho de uma família muito rica e teria abandonado sua fortuna para dedicar-se à vida religiosa, tendo morado na palestina e no Egito antes de ser nomeado bispo de Myra. Nicolau foi perseguido e aprisionado pelo imperador romano Diocleciano, sendo libertado somente no reinado do imperador Constantino.
Nicolau morreu em 343 DC, e foi enterrado na igreja de Myra (Demre), onde ele fazia suas pregações, e que foi transformada em santuário após sua morte, quando foi canonizando Santo.
Marinheiros roubaram seus restos mortais em 1087 DC e levaram para a cidade italiana de Bari. No ano de 1100 DC uma parte de suas relíquias foram levadas para Veneza, onde se encontram até os dias atuais. Em 2009 a Turquia pediu a restituição dos restos mortais do Santo à Itália, não obtendo resposta  sobre o pedido.
Conhecido por suas boa ações, a bondade de Nicolau foi sendo contada de geração em geração, oralmente, em forma de lendas. A lenda mais conhecida conta que o Nicolau ficou sabendo que um pobre homem, que só possuía filhas mulheres, não tinha como arcar com os dotes para os casamentos das meninas. Como as janelas da casa estavam trancadas, Nicolau então teria subido no telhado e atirado moedas de ouro pela chaminé. As moedas teriam caído dentro das meias das meninas que estavam penduradas na lareira para secar.
A transformação da imagem do santo humilde e caridoso na figura do Papai Noel, meio elfo, com renas a puxar seu trenó, aconteceu por volta de 1800, na cidade de Nova York, quando um grupo de imigrantes europeus resolveu criar uma figura próxima das tradições das diversas igrejas existentes em homenagem a São Nicolau, que era então, um santo bastante conhecido na europa, sendo patrono da Rússia e da Grécia. Mas foi em 1930, quando a Coca-Cola começou a usar a imagem do Papai Noel de vermelho, com suas renas, a distribuir presentes pelas chaminés das casas, que a figura se popularizou e se transformou no que é hoje, uma figura bem distante do verdadeiro São Nicolau, Bispo de Myra, atual Demre.
Existe ainda no centro da cidade de Demre a igreja de São Nicolau, bastante frequentada, principalmente no mês de dezembro (o dia 6 é a data de sua morte), quando recebe milhares de turistas. Os fiéis vão até lá para agradecer a supostos milagres que teriam sido realizados por São Nicolau.
Em um passeio a Turquia não deixe de incluir uma visitinha Demre, vale muito a pena.





Estátua de São Nicolau, na entrada de sua igreja

Vista do comércio local de Demre, com suas lojinhas de produtos temáticos

Pracinha de São Nicolau


Interior da Igreja de São Nicolau

afresco na abóboda interior da igreja

Vista da fachada da igreja

Um dos corredores do templo, com seus afrescos que retratam cenas da vida do santo, sendo restaurados

Afrescos no interior da igreja

Tumba de São Nicolau vazia

Mais afrescos

Hall de entrada do templo

Afresco de São Nicolau, na entrada do templo

sábado, 1 de abril de 2017

Adana

Já escrevi outros artigos sobre lugares interessantes na cidade de Adana ( a torre do relógio, a mesquita Ulu, a ponte de pedra,  e o lago Seyhan ) mas nunca escrevi sobre a cidade em si.
Adana é a quarta maior cidade da Turquia,  depois de Istambul, Ancara e Izmir, com uma população em torno de 2 milhões de habitantes, localizada na área mais fértil do país, o vale de Çukurova, banhada pelo rio e lago Seyhan.
O nome Adana deriva da mitologia que, segundo a mesma, teria sido fundada por Adanus, filho de Cronus, deus do tempo, pai de Zeus. Adana foi uma cidade importante para várias civilizações ao longo da história, desde os tempos remotos da civilização dos Hititas.
A cidade é muito agradável, possui casas de chá e restaurantes ao longo do lago Seyhan, o comércio é variado, onde é possível encontrar de tudo. Possui dois grandes shoppings centers.
O prato mais famoso da culinária de adanense é o Adana Kebap, que consiste em carne moída de carneiro, ricamente temperada e apimentada, colocada dentro de um pão folha, acompanhada de salada de tomates, cebolas, salsa, pimenta fresca etc. A comida turca em geral é apimentada, mas a comida de Adana é mais apimentada ainda.
No verão a cidade é bastante quente e úmida, porém os invernos, apesar de frios, não são rigorosos como no restante da Turquia. É bastante comum os habitantes de Adana possuírem casas ou apartamentos de veraneio na cidade balneário de Mersin, cerca de 100 km da cidade.
Adana possui vários parques, sendo o principal deles o parque Atatürk.
A cidade possui um pequeno aeroporto com vôos para diversas cidades da Turquia, incluindo vôos internacionais para Alemanha e o Chipre.


Parque Atatürk

Atatürk parque  e a fonte com a estátua de Atatürk
 

Atatürk Parque


Atatürk Parque



Zona nobre do centro da cidade


Pequena mesquita na parte antiga do centro da cidade 


Adana tem vários antiquários no centro da cidade. Esse da foto vende luminárias lindas em cristal


Rio Seyhan


Turunçis são laranjas selvagens, azedas, muito comuns nos parques da cidade no verão


Mesquita Sabanci, a maior da cidade


Hotel internacional de luxo às margens do rio


Fontes no centro da cidade


Vendedor de especiarias (temperos) no centro da cidade

Muito interessante e ecológico, carregador de celular a luz solar em parque no centro da cidade

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Tumba de Selim II e outros - Istambul

Um lugar bem bonito e pouco visitado em Istambul é o complexo de tumbas, localizado atrás da mega igreja de Santa Sofia (Hagia Sophia). O complexo consiste nas tumbas dos sultões Selim II, Murad III, filho de Selim II, Mehmed III, neto de Selim II, Mustafá I, filho Mehmed III, e Ibrahim I, conhecido como "Ibrahim o louco", neto de Mehmed III.
O Sultão Selim II, filho do famoso casal de sultões Solimão, o Magnífico e Hürrem  , governou o Império Otomano de 1566 a 1574, quando faleceu. A tumba de Selim II, ou Selim, o loiro, como era chamado, é uma das mais lindas tumbas, de um total de 18, construídas pelo famoso arquiteto turco Sinan.  O sultão ordenou a construção da tumba ainda em vida,  mas a mesma levou 3 anos a mais, após sua morte, para ficar totalmente pronta, o que ocorreu somente em 1577. O local é todo decorado finamente em mármore com painéis em azulejos pintados à mão. Os painéis são considerados os mais bonitos do século XVI. Um desses painéis, localizado na entrada, foi removido para restauração em 1895 e enviado à França, lá foi incorporado à coleção de arte islâmica do museu de Louvre em Paris. O governo turco já solicitou diversas vezes que o governo francês devolva o painel original à Turquia mas até o momento não obteve resposta.
No local existem 42 sarcófagos, o de Selim segundo, sua primeira esposa Nurbanu, filhos e netos do casal e uma filha de Selim com uma concumbina.
Como não poderia deixar de ser, uma obra do arquiteto Sinan realmente é algo muito lindo de se apreciar.
A tumba de Murad III , construída em 1599,  4 anos após sua morte, pelos arquitetos Davud Agha e Dalgiç Ahmet Agha, possui 54 sarcófagos, incluindo o de sua esposa, Safyie, suas filhas e mulheres da corte.
A tumba dos príncipes, filhos de Murad III, foi construída também por Mimar, em 1580, e tinha sido construída inicialmente para a sultana Nurbanu, esposa de Selim II, mas como os netos morreram antes, vítimas da peste negra, foram enterrados no local e Nurbanu foi enterrada ao lado do esposo. A tumba conta com 5 sarcófagos, 4 príncipes e uma princesa.
A tumba de Mehmed III também construída pelo arquiteto Dalgiç Ahmet Agha, em 1608, 5 anos após a morte do sultão. Existem 26 sarcófagos no local, incluindo seus netos e netas, filhos do sultão Ahmed I, de sua esposa Handan, sua irmã Ayse  e outros príncipes e princesas.
A tumba dos sultões Mustafá I e Ibrahim I era na verdade o batistério da igreja Santa Sofia, construído no século VI. Após a conquista de Constantinopla, o local passou a ser usado para guardar o óleo a ser usado nas luminárias da igreja que foi transformada em mesquita na ocasião. O batistério foi convertido em tumba em 1639 por ocasião da morte de Mustafá I e em 1648 o sultão Ibrahim I também foi ali enterrado. Existem no local 17 sarcófagos, onde também estão enterradas as filhas de Ahmed I,  a filha de Murad IV e os filhos de Ahmed II.




Vista da tumba de Murad III e a tumba dos príncipes


Entrada da Tumba de Selim II 



Réplica do painel que foi levado para França e que até hoje não foi devolvido pelos franceses, na entrada da Tumba de Selim II 



Interior da tumba de Selim II 




Sarcófago de Selim II e da esposa Nurbanu 




Janelas com detalhes em madre pérolas e detalhes dos azulejos pintados a mão na tumba de Selim II 




Tumba de Selim II




Detalhe da belíssima pintura das paredes e do teto da tumba de Selim II 



Sarcófagos dos sultões Mustafá I e Ibrahim, o louco 



Delicada pintura da tumba de Mustafá I e Ibrahim, o louco 



Tanque de batismo, localizado onde é a tumba de Mustafá I e Ibrahim I



Pátio interno da tumba de Mustafá I e Ibrahim I



Vista externa da tumba dos príncipes