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sábado, 6 de abril de 2013

Banho turco de Şengül (Şengül Hamamı) - Ankara

A casa de banho turco Şengül está localizada no histórico bairro de Ulus, em Ankara. A construção do edifício data do século XV, tendo sido restaurado no século XIX. A área onde está construído o banho é turco era conhecida na antiguidade como bairro dos judeus. É sabido que os judeus passaram a viver nessa área desde o século I AC.
O Şengül Hamamı é constituído de duas partes distintas, uma área para mulheres e outra para os homens, com entradas separadas, como  nos banhos da Sultana Hürrem, em Istambul. As cabines para as trocas de roupas foram remodeladas nos séculos XIX e XX. Este banho turco é considerado um dos mais antigos e tradicionais da capital turca. Tendo recebido uma grande reforma interna recentemente.
Já relatei aqui no blog todo o ritual seguido durante  um banho turco (se tiverem curiosidade acessem o link). Sobre o banho turco de Şengül, tenho a comentar que, apesar do ritual ser parecido, existem algumas peculiaridades a serem observadas pelo turista estrangeiro, vamos a elas:
Em primeiro lugar as pessoas quase não falam inglês. Segundo, o pessoal que frequenta o hamam é composto de turcos, que o frequentam no seu cotidiano, logo, pode-se notar que não é coisa para turista, o hamam é bem típico mesmo. Não se assuste se alguém começar a falar com você dizendo que você não está seguindo o ritual corretamente ( os turcos em geral são de falar com estranhos e de se acharem no direito de "corrigi-los"). Particularmente gostei muito da esfoliação e da massagem corporal de café. No entanto, não é oferecido coisas básicas, tais como: shampoo, luva descartável para a esfoliação, sabonete e toalhas sêcas (oferecidas nos hamans mais turísticos). No hamam de Şengül te oferecem apenas uma toalha de algodão, uma toalha sêca na saída ( que não tem lá uma aparência muito boa), te cobram pela luva de massagem (a de esfoliação usam uma lá que é melhor nem pensar muito no assunto, pois não sei se seria descartável ou não), te cobram pelo shampoo e sabonete. Para frequentar esse hamam aconselho levar toalhas, sabonete e shampoo de casa. Outra coisa que achei no mínimo estranha nesse hamam foi o fato de as cabines para as trocas de roupas não serem individuais. Na minha cabine tinha uma senhora de idade ( acompanhada de sua filha, fazendo um pequeno piquenique no local!) que disse que não sairia da cabine para que eu pudesse trocar de roupa (aqui os idosos é quem mandam, se eles decidem não fazer ou fazer algo, ninguém tem o direito de contrariar). O resultado é que tive que me trocar lá com ela me olhando. Outra coisa que pode incomodar é o fato de permitirem a entrada de crianças pequenas, que logicamente, não se comportam, e o que seria um local para relaxamento e prazer pode se tornar muito ruidoso.
Como experiência, para visitar e ver como é realmente um hamam turco em seu dia a dia, acho que vale uma visita ao Şengül, já como qualidade de serviço, creio que os hamans mais turísticos de Istambul são melhores. Apesar de que as massagens com café no Şengül são realmente excelentes e valem muito a pena.
O preço para o banho turco e massagem de café sai por 42 liras  ( equivalente a 42 reais). O horário de funcionamento é de 6 da manhã às 20h.
Como nos banhos turcos é proibido tirar fotos do interior, somente as fotos externas foram tiradas por mim, as demais são fotos oficiais do local.



Pedra central de mármore, onde são realizadas as massagens e o banho turco em si.




Vista interna da área central da entrada e das cabines




Vista das cabines superiores, onde se realizam as depilações e outros serviços





Cena da massagem na pedra central


Ruazinha lateral de acesso a entrada das mulheres




Entrada do hamam para mulheres


Entrada para as mulheres



Entrada para os homens (sempre mais imponente)

sábado, 2 de março de 2013

Pamukkale ( Castelo de Algodão)

Na postagem de hoje vou comentar a respeito de um dos mais belos e únicos locais do mundo: Pamukkale ( que em turco significa "Castelo de Algodão" ). Pamukkale está localizada na província de Denizli, sudoeste da Turquia, na região do mar Egeu, distante cerca de 650 Km de Istambul. O local é formado por fontes de águas termais e piscinas naturais de calcário e cálcio (chamadas de travertines), únicas no mundo. Localizada logo no topo das piscinas calcárias encontram-se as ruínas da importante cidade histórica de Hierápolis (escreverei um post especial sobre a cidade brevemente). De acordo com a tradição oral, as águas minerais de Pamukkale, além de ajudar na cura de varios males, tais como problemas de pressão, de rins, reumatismo, entre outros, também teria propriedades de "embelezamento" . Diz a lenda que uma moça muito feia não conseguia nenhum pretendente a casar-se com ela, infeliz com tal destino de solteirona, a moça tentou cometer suicídio, atirando-se do alto das travertines, caindo dentro de uma das piscinas de água mineral, atraiu a atenção do governador de Denizli, que encantado com sua beleza, prometeu matrimônio no mesmo momento.
Toda essa beleza esteve a ponto de extinguir-se, pois nas décadas de 70 e 80 foram construídos hotéis às margens das travertines, que retiravam água termal do local para o abastecimento dos estabelecimentos. O resultado dessa exploração foi que a água termal das piscinas calcárias começaram a secar e todo o calcário entrou em processo de escurecimento. Houveram protestos na sociedade turca a esse respeito, e em 1988 Pamukkale foi declarada patrimônio da humanidade e os hotéis foram fechados e demolidos.  Atualmente existem hotéis somente fora da área de preservação de Pamukkale.
Com a finalidade da preservação e recuperação das piscinas termais, o visitante que vai a Pamukkale tem que entrar sem sapatos no local ( o que é bastante incômodo, pois as pedras calcárias acabam por machucar os pés mais sensíveis), e o banho não está permitido em todas as piscinas, só nas maiores (algumas delas artificiais, construídas especialmente para o banho dos turistas). A sensação que se tem ao pisar nas piscinas, com aquele tipo de "argila" branca  e água morna é muito boa e relaxante, o único desconforto são as pedrinhas calcárias que realmente incomodam os pés.
Como quase tudo aqui na Turquia, com o advento do conservadorismo atual, vi mulheres de lenço entrarem de sapatilhas de plásticos em todo o percursso nas piscinas calcárias, enquanto as demais mulheres, não cobertas, eram proibidas de protejer seus pés. Minha única crítica a visita a esse local maravilhoso foi essa, notar que os guardinhas, que ficavam de olho para ver se tinha alguém calçado no local, pareciam não enxergar os pés das mulheres de lenço na cabeça! Mas infelizmente, esse tipo de coisa acontece muito por aqui, outro exemplo disso é que nos aeroportos, pode estar fazendo o maior frio, mas as mulheres que não usam lenço na cabeça são obrigadas a tirarem os casacos para passar no detector de metais da entrada dos aeroportos, já as de lenço, passam batido, não tiram casaco, muito menos o lenço!





Vista geral de uma parte das travertines



Anoitecer com as travertines ao fundo


Detalhe da recuperação das travertines, uma pequena piscininha natural começa a nascer


Vista de uma das maiores piscinas



Vista do alto, ao fundo um local para banhos de piscina



Detalhe das travertines, algumas sêcas, ainda em recuperação


Vista de uma das partes


Travertines ainda sêcas


A beleza das travertines de águas azuladas


Vista geral da sudida (ou descida)




Uma das piscinas



Outra vista geral


Espécia de clube com piscinas, ao alto Pamukkale



Vista de Pamukkale da estrada

sábado, 19 de janeiro de 2013

Shopping Centers na Turquia



Vista do Kanyon pelo lado de fora. Entrada principal.

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Corredores do Kanyon
 

Vista do shopping Kanyon e sua arquitetura diferenciada



Outra vista do Kanyon


Mais Kanyon 

Vista do Cevahir do lado de fora, entrada principal





 Vista interna do Cevahir
 

Vista interna do Cevahir, entrada principal
 
Hoje vou comentar sobre os shopping centers aqui na Turquia. Quem nunca veio a Turquia muitas vezes pensa que aqui só se faz compra em bazares, lojinhas em ruas antigas e shoppings velhos. Uma das coisas que me surpreendeu, quando aqui vim morar, foi a quantidade de shoppings centers existentes nas cidades turcas, pequenas ou grandes. Outra coisa que me surpreendeu foi constatar que os shoppings das grandes cidades, como Istambul, Ancara e Izmir, são todos modernos, e possuem as grandes lojas de marca da europa. E os preços? Os preços também são surpreendentementes baratos! Aqui se compra tudo muito mais barato que no Brasil, inclusive nas lojas de marcas conhecidas internacionalmente.
O maior shopping center da europa, e um dos maiores do mundo, está localizado em Istambul, é o Cevahir Shopping Mall. Inaugurado em 2005, o shopping possui mais de 200 lojas, distribuídas em seus 6 andares, oferece estacionamento para 2 mil e 500 carros e funciona todos os dias do ano, de 10 as 22 horas. O Cevahir fica no bairro de Sisli.
Outro shopping center bastante interessante de se visitar em Istambul é o Kanyon Shopping Mall, que possui uma arquitetura totalmente diferente, com áreas cobertas e não cobertas. O shopping possui 160 lojas, estacionamento para 2 mil e 300 carros, foi inaugurado em 2006 e está localizado no bairro de Levent. Também está aberto todos os dias do ano.
Todos os shopping centers das grandes cidades turcas funcionam todos os dias do ano  e a grande maioria oferece estacionamento gratuito aos clientes. Com exceção de Istambul, que por ser uma cidade com mais de 9 milhões de habitantes, e ter sérios problemas de trânsito e de estacionamento, os grandes shoppings centers cobram pelo estacionamento.
Para quem vem a Turquia e gosta de fazer umas comprinhas, fica a dica.
 

sábado, 29 de dezembro de 2012

Casa da Virgem Maria ( Meryem Ana Evi )

Está localizada nas montanhas, próximas a antiga cidade histórica de Éfesus,  a casa onde teria vivido a virgem Maria após a morte de Cristo. A humilde casinha se encontra a cerca de 8 km da cidade de Selçuk, no alto do monte Koressos, no Parque Maryemana Kultur Parki .
Segundo a Bíblia : "..Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho.  Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa..."  João 19:26-27.   Após a morte de Jesus, o apóstolo João teria fugido com a virgem Maria para a cidade de Éfesus, importante porto marítimo daquela época (região do mediterrâneo da Turquia na atualidade), no ano 37 DC,  ano que em os cristãos começaram a ser ferozmente perseguidos em Jerusalém.
As ruínas da casa foram descobertas no século XIX  pelo padre francês Julien Gouyet, que seguiu relatos contidos em livro sobre a série de visões que a freira  alemã, Anne Catherine Emmerich, teria tido a respeito dos últimos dias da vida de Cristo e sobre detalhes da vida da virgem Maria. No livro sobre as visões da freira, publicado em Munique em 1852,  é relatado com detalhes a localidade e a estrutura da casa onde teria vivido a virgem Maria. A veracidade sobre a casinha ter sido realmente a última morada da virgem Maria é parte da tradição oral, mantida pelos descendentes dos primeiros cristãos ortodoxos da igreja de Éfesus, moradores da localidade de Kirkince. O local onde está erguida a casa era chamado de Panaya Kapulu por esses primeiros cristãos.
Em termos arqueológicos não ficou comprovado que no local teria mesmo vivido a virgem Maria, já que parte da estrutura da casa remonta ao século IV (o que sugeriria uma reforma do local), no entanto, suas fundações remontariam ao século I. A casa atual teria sido reformanada novamente nos anos 50.
O casa foi declarada local de peregrinação cristã em 1896, pelo Papa Leão XIII. Os Papas Paulo VI, João Paulo II e Benedicto XVI visitaram o santuário.
A casa da Virgem Maria também é considerada local de importante visitação para os muçulmanos.




Estátua da virgem Maria ao pé do monte está localizada sua última morada.



Entrada do parque onde se encontra a Casa da Virgem Maria.



Nos jardins da casa local onde os fiéis depositam velas e suas preces.



Em outra parte do jardim encontra-se esse muro, onde os fiés escrevem em papéizinhos os seus pedidos e ali depositam.




Vista da entrada e da parte lateral da casa.




Também se encontra no jardim, logo abaixo da casa, fonte de água natural que viria de lençol freático que passa por debaixo da casa. Os fiéis acreditam que essa água é abençoada.




Outra vista dos jardins.



Vista da lateral da casa.



Outra parte do agradável jardim.



Fachada e fundo da casa.




Vista da entrada principal da casa. Não foi possível fotografar o interior da casa, pois é proibido. Mas trata-se de uma pequena e simples casa de pedra, de dois cômodos, onde atualmente abriga uma capela de orações.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Silifke (Seleucia)

Por quase toda a costa do Mediterrâneo turco é possível encontrar ruínas de castelos, cidades e fortalezas construídas na época do período helenístico e dos impérios romano e bizantino. Toda a costa mediterrânea turca é muito rica em  termos arqueológicos. Uma das interessantes áreas, porém pouco visitada pelo turista estrangeiro, é a região da província de Mersin. No post de hoje vou comentar sobre uma dessas áreas, a cidade de Silifke (antiga Seleucia) e seu imponente castelo.
A cidadezinha de Silifke está situada há 80 Km da cidade de Mersin, às margens do rio Göksu (antigo Calycadnus), possuindo uma população em torno de 80 mil pessoas, foi fundada pelo imperador seleuco Nicator I (um dos generais de Alexandre, o grande), no século III AC. No século II AC a cidade tornou-se um centro religioso, possuindo importante templo dedicado a Júpiter. Silifke (Seleucia) foi local de nascimento de importantes filósofos, tais como Xenarchus e Athenaeus. Seleucia também teve seu papel de destaque com relação ao cristianismo, já que abrigou três importantes concílios da igreja cristã, o Concílio de Seleucia, realizados em 325, 359 e 410 DC.
O castelo de Silifke (Silifke kalesi) foi construído no século IV AC, durante o período helenístico, sendo reformado quase que totalmente durante o período bizantino, sendo utilizado como fortaleza de proteção contra os árabes. No século XII DC, durante a terceira cruzada, o castelo foi capturado pelos armênios sob o comando do futuro imperador Leo I. Em 1210 os armênios entragaram o castelo à ordem dos Cavaleiros Hospitalários, a fim de que os mesmos pudessem defender a região dos ataques dos turcos-seljúcidas. Em 1236 o castelo foi aumentando, e finalmente, em 1476, foi capturado pelo império otomano. O atual castelo é composto de ruínas de 23 torres, cisternas, depósitos de comidas e armas, além de mais de 60 habitações. A seguir, fotos da cidade de Silifke e do castelo, que continua sendo escavado e restaurado pela Universidade de Selçuk.